Entrevista - Marie Claire
Heloisa Faissol
Funk é uma referência cotidiana.
Já passei por varias formas de expressão artística, teatro moda , dança, artes plásticas , circo...sempre procurei alguma forma espontânea de me expressar...e quando eu conheci o funk eu me identifiquei totalmente com essa forma clara, imediata, honesta e simples de se comunicar..
Quando eu falo dessa referência cotidiana , é que o povo encontrou no funk uma forma fácil e simples de se expressar, uma forma direta, o que não faz "dele" uma arte menor; tanto que ele vai evoluindo. Acredito que o funk pode fundir vários estilos, assim como eu posso fundir todas as minhas artes e me expressar de forma direta. Quero ressaltar que quando falo povo; me refiro a todas as camadas sociais... Quando o funk explodiu, o que mais se via nas festas da alta sociedade, eram as patricinhas rebolando como funkeeiras...essa fusão é incrível, envolve criticas positivas e negativas, mas o mercado e muitas vertentes da musica absorveram esse estilo.
Como foi encarar o preconceito dentro de casa e com sua família?
Como se deve encarar toda forma de preconceito.Primeiro: dizer não a ele. Segundo: usar educação, sabedoria e paciência, porque preconceito, no fundo não passa de uma forma de ignorância , e nesse caso, cultural. Por isso a paciência, porque superar isso leva tempo.
E entre os funkeiros, rolou preconceito? preocupa-se com isso?
O preconceito existe, deve ter rolado sim, mas não a ponto de me preocupar ou me deixar afetar..
Você já cantou na favela, tem vontade ou nunca lhe chamaram?
Já cantei na comunidade , só que espontaneamente.
Já me chamaram varias vezes mas ainda estou ensaiando e gravando novas musicas para poder me apresentar...
Você fala que canta músicas de cunho social. explica melhor isso. pode mandar algumas letras?
Eu venho de uma classe alta,acostumei a ver a vida de cima
Quando resolvi cantar funk ou mesmo nos outros veículos de arte pelos quais passei, passei a ver a vida através de uma outra ótica, que é a seguinte: todos nós somos um só povo. Eu faço parte de uma coletividade. Eu não existo fora disso, então quando abro o jornal e vejo as noticias, as condições das pessoas; o que eu tenho vontade de dizer; é um grande NÃO a isso tudo...o Brasil é um pais injusto, que investe na exclusão. Vou dar um exemplo clássico:.Voce me perguntou se eu já cantei na favela...é o que as pessoas em geral perguntam...mas porque existem favelas?
Qualquer bom administrador , urbanista, empreiteiro, transformaria a favela num bairro inserido na cidade; num lugar digno de se habitar..Muitos deles com status de ponto turístico.E no mais porque a favela tem que ser um lugar estranho?
(Asfaltando, construindo rede de esgoto,posto de saúde , escola.e salários mais dignos, deviando menos verba publica , seriam soluçoes)
Por que vc é conhecida como helô quebra-mansão?
Isso foi uma brincadeira que fizeram em cima do apelido da Tati quebra barraco, mas o meu nome é Heloisa e eu não sou de quebrar nada, eu sou da paz e do amor....e também pelo fato de eu ter dito e afirmado que admiro muito a Tati Barraco.
Como está sua agenda de shows?
Como disse, já rolam convites mas estou terminando de me preparar para poder começar a me apresentar.